Despaixão



Nem contei quantas paixões já passaram por minha vida depois de você. Muitas delas nem sabem. Eu e essa minha mania de fantasiar o futuro, por vezes me pego planejando o impossível com pessoas impossíveis. A maioria, senão todas as minhas paixões, nunca mais voltaram, ou nem sequer chegaram. As vezes sou eu quem me afasto mesmo, sem motivo aparente. As vezes levo socos na cara, porquê chute na bunda não é suficiente. As vezes a paixão some de leve, caladinha, sem deixar rastros. Mas nenhuma fica. Não adianta tentar curar dor de amor com outro amor. Não adianta esperar que alguém vai servir de curativo, porque não vai. Enquanto aquela ferida estiver aberta, nosso coração parece atuar como um imã contrário: só afasta. E quanto mais afasta, mais me sinto sozinha e tentada a achar que sinto sua falta. Mas quer saber? Eu não vou mais sentir sua falta. Nem um pouco. Sinto falta do que tínhamos, da nossa cumplicidade. Sinto falta de ligar pra alguém quando não estou conseguindo dormir ou quando estou com medo. De você não mais. 

Sabe, foi duro ter que admitir isso pra mim mesma. Foi duro ter que me obrigar a segurar a barra e aceitar que você não existe mais fora do meu passado. Nem no presente, nem no futuro. Acabou. Já era, Game Over, That's all Folks. Não foi minha escolha. E mesmo com minhas recaídas sentimentais, já respiro sem pensar em mim como sendo parte de nós. Levei aquela capa do disco do Marcelo Camelo muito a sério. Hoje consegui deletar nosso álbum no facebook. Parece idiota, mas durante esse quase-um-ano não conseguia fazer mais do que ocultá-lo só para mim. Durante esses quase-três-anos peguei meu amor próprio junto com todo amor que eu tinha e dei pra você, enrolados em papel de presente, e você guardou naquela sua gaveta cheia de coisas aleatórias que você só abre quando precisa de uma tesoura.

Na próxima vez que nos encontrarmos no museu, não precisa tentar me manter. É mais fácil dar adeus de longe, não é?

Estou me desapaixonando por você. (Escutou coração?) 
Porque você já fez isso a muito tempo. 

Um comentário:

Fabi Penco disse...

Humm, Lídia é um texto aparentemente muito pessoal, subjetivo... Intenso, forte e até triste, mas bastante decisivo. É isso aí, a vida segue e não nos espera, então rumo a um futuro sem brilhante D